9/20/2009

[PMI-SP] Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"

Robelo,
 
Ufa!
 
Pelo menos contigo atingi meus objetivos! Por fim alguém entendeu que não estou criticando o conceito de caminho crítico de CPM. Estou apenas dizendo que não podemos automaticamente relacionar a palavra "caminho critico" com CPM e por tabela com Folga Zero!
 
E já que você "passou do estágio 1" e entendeu por que eu digo:
 
 "meu caminho crítico tem folga, e o seu? "
 
Vamos ao estágio 2:
 
- Você sabia que a verdadeira corrente crítica também é - igual em CPM - somente a seqüência de atividades que tem folga ZERO? Só que neste caso, a folga não é contada em função do passo-para-frente e passo-para-trás de CPM. Esta folga é contada em função da disponibilidade de recursos!
 
Isso pode ser visto nesta ilustração:
 
As atividades ilustratas estão "em vermelho" pois o cálculo de folgas, levando em consideração os recursos, tem como folga total = zero.
 
E isso é CORRENTE CRÍTICA, não CAMINHO CRÍTICO!
 
Outro ponto relevante da minha discussão é que MESMO quando eu aplico Corrente Crítica, eu posso me encontrar com situações onde dependências externas também quebram a minha rede.
 
O que o Farhad chama de "caminho crítico partido" também é aplicável a "corrente critica partida", de tal forma com que o "caminho crítico do projeto" é algo ainda MAIOR do que aquele representado pelo caminho crítico CPM ou a corrente critica !!
 
Em resumo:
 
- Caminho crítico CPM NÃO tem folga (e a folga é calculada com base a rede)
- Corrente critica NÃO tem folga (e a folga é calculada com base a rede e os recursos)
- Caminho crítico DO PROJETO pode ter folga!
 
Abraço a todos,
 
Peter Mello.
 

----- Original Message -----
From: Robledo Castro
To: PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, September 19, 2009 2:48 AM
Subject: Re: [PMI-SP] Re: Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
 

 
Peter,
 
Acho que na verdade pensamos sim a mesma coisa. Eu entendo o Farhad quando ele pensa na preocupação de confudir os iniciantes nos conceitos. Mas acho que questionar estes mesmos conceitos, mesmo que pra chegar à mesma conclusão, é válido e faz parte da maturidade do profissional. Se não fosse assim, não avançaríamos em nada.
 
Eu aprendi exatamente como o Farhad explicou, que todas as atividades no caminho crítico tem folga zero. E na prática, utilizava as restrições de recurso ou externas, quebrava o caminho crítico, via o project "pintar" as atividades críticas de um ponto pra frente, e fazia as coisas acontecer, talvez "inconscientemente".
 
Quando li seu artigo "Meu caminho crítico tem folga, e o seu?", parei pra rever alguns conceitos, e antes de tudo voltei a reler o PMBOK, que acho que deve ser sempre a base que guia um PMP, e se não for, melhorarmos sua escrita, como discutimos no episodio da "reserva de contingencia".
 
O PMBOK não fala que o caminho crítico tem todas as atividades com folga zero. Ele fala que o caminho crítico é o caminho mais longo até o final do projeto.
 
Dentro dessa otica, tanto olhando o nivelamento por recursos, quanto o exemplo que eu dei onde há uma restrição externa, o caminho mais longo merece atenção especial. Veja no caso da restrição externa, onde dependendo do atraso na atividade anterior, podemos comprometer uma atividade que coloca tudo a perder, se essa restrição for uma "hard constraint".
 
Busquei uma fonte que me agrada muito, a do Dr Harold Kerzner. Na 10a edição, página 502 (slack time). Ele diz que no caminho crítico as atividades tem folga zero. Porém, no rodapé, ele cita que "Em alguns casos o caminho crítico pode incluir alguma folga. Estes casos não serão tratados aqui".
 
Eu diria que, para falar de "conceitos", temos que ter cuidado. Talvez melhorar a escrita do PMBOK ou do standard de schedule seja um caminho.
 
Agora, do ponto de vista prático, os olhos do GP devem estar focados no caminho mais longo, independente dele ser gerado por atividades sem folga ou com folga por nivelamento, constraints etc.
 
[]s
Robledo
 

2009/9/16 Peter Mello (Listas) <petersmello@gmail.com>
 
 
 
Robledo,
 
Realmente já virou conversa mesmo de loucos.
 
Onde achei que você dizia o que estaria em acordo comigo, de fato não é!
 
Vamos precisar de ilustrações para ter o que falar.
 
Você viu o link que eu passei em outro email, onde temos uma diferença entre o que é a folga total = 0 indicando o caminho crítico CPM e o que é a folga total = 0 indicando o caminho crítico independente de ser ou não CPM?
 
 
Em resumo:
 
1) O caminho crítico DO PROJETO, independente de ser calculado ou não pelo Método do Caminho Crítico é uma rede cujas atividades tem folga total zero.
 
2) Se calculado pelo método CPM, somente as atividades ligadas entre si por dependências é que fazem parte do cálculo e o cronograma pode mostrar inconsistências se for nivelado por recursos.
 
Conclusão: O cálculo de caminho crítico CPM só tem valor se o projeto não estiver nivelado.
 
3) Se calculado pelo RCP (Resource Critical Path), atividades são dependentes entre si não apenas pelo diagrama de redes mas também pela disponibilidade ou não de recursos. Neste caso, a folga total calculada também é igual a zero. Só que estas folgas são baseadas nos RECURSOS e não nas dependências.
 
Conclusão: O cálculo do caminho crítico RCP demonstra as atividades que estão no caminho crítico DO PROJETO tanto em função das dependências entre tarefas e de recursos.
 
4) Datas externas podem quebrar tanto o caminho crítico CPM como o RCP. Isso quer dizer que parte do projeto terá atividades com folga LIVRE e TOTAL maior que zero, mas elas também pertencem à seqüência de atividades que determina o menor tempo possível de um projeto, ou sua maior duração.
 
Conclusão: neste caso, o caminho crítico CPM fica "partido" (fenômeno que também acontece no caso de nivelamento) e o caminho crítico RCP fica "partido" (fenômeno que só acontece com imposição de restrições externas. Ainda assim, temos um caminho crítico DE PROJETO onde atividades tem folga.
 
O Standard de Scheduling já faz a separação entre "caminho crítico" e "caminho crítico de projeto", portanto falar que "o caminho crítico de um projeto pode ter folga" é 100% verdadeiro e não pode chocar nem aos puristas do CPM, como o Farhad.
 
A minha implicância com o assunto é o fato de haver um entendimento que o termo "caminho crítico" PERTENCE ao CPM e toda vez que alguém falar "caminho crítico' sem dizer ao que se refere, teríamos que assumir que é o caminho crítico CPM.
 
Não concordo!
 
Se eu calcular o caminho crítico por CPM ou se eu calcular o caminho crítico por RCP, de qualquer forma eu calculei "o caminho crítico". O método criado no fim da década de 50 por J.Kelley foi um esforço para determinar o caminho crítico e portanto ele é (UMA) solução para o problema, não a sua definição.
 
Se você seguir o link acima, você "se permite" a aceitar que a penúltima ilustração é o que queremos ter como definição de "caminho crítico"?
 
Faz sentido a atividade C ter uma "folga total" de 10 dias, sendo que de fato ela não pode atrasar?
 
Abraço,
 
Peter.
 
----- Original Message -----
From: Robledo Castro
To: PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, September 15, 2009 11:05 PM
Subject: Re: [PMI-SP] Re: Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
 

 
 
As vezes acho que entramos em uma conversa de loucos, e começamos a defender coisas diferentes
=)
 
Essa é uma discussão de conceitos, relacionada ao vocabulário. Na prática os cronogramas são montados, restrições e lags são colocados e o projeto executado, independente da nomenclatura. Mas de novo, acho importante trabalharmos para termos um vocabulário comum entre a comunidade GP que utiliza o PMBOK como apoio. E além disso me força a voltar à reler as referências com o prazer de alimentar a discussão e reavaliar alguns conceitos.
 
Acho que todos concordamos que o caminho crítico não tem folga positiva certo? E que o mesmo tem folga zero ou negativa, ok? Mas isso eu estou falando do caminho todo (visto que um cronograma tem vários caminhos).
 
O ponto de discussão que me parece gerar confusão é se as atividades que estão no caminho critico podem ter folga. Aqui começam as inferências sobre os textos de fontes diversas.
 
Farhad, convido você a analisar o texto do PMBOK 4th edition, seção 6.5.2.2 (tendo em vista que seria o primeiro texto de apoio em uma lista do PMI, ok?)
 
A definição de total float difere um pouco da Rita. O guia fala na folga total do caminho e não da atividade. "On any network path, the schedule flexibility is measured by the positive difference between early and late dates, and is termed "total float". Critical paths have either a zero or negative total float...."
 
Depois o guia cita "Once the total float for a network path has been calculated then the free float, the amount of time that an activity can be delayed without delaying the early start date of any immediate successor activity within the network path, can also be determined."
 
O guia diz também que o caminho critico é o mais longo, certo? Acho que todos concordamos.
 
Agora, voltando ao exemplo que eu dei, eu tenho o caminho mais longo e o total float é zero.
 
Eu não achei no guia que uma atividade crítica tem folga zero, apenas que toda atividade no caminho crítico é uma atividade crítica: "...schedule activities on a critical path are called "critical activies".
 
Vc concorda que lendo o guia posso tranquilamente inferir que um caminho crítico tem atividades com folga (free float 0)?
 
Fazendo um checklist das atividades que eu coloquei:
 
 "descascar parede" -"passar massa corrida" e "pintar parede"
 
1) É o caminho mais longo para o final do projeto? SIM
2) Tem folga total = 0? SIM, pois a data de termino mais cedo e mais tarde do caminho é a mesma, devido a atividade "pintar parede"
3) Existe alguma atividade com folga livre 0? SIM, a atividade "passar massa corrida por exemplo"
 
Por isso, com base no PMBOK (interpretando o texto), eu posso dizer pelos itens 1 e 2 que tenho o caminho crítico, e que tenho atividade com folga (3).
 
Eu não achei no guia algo que indicasse que o fato de haver folga entre "passar massa corrida" e "pintar parede" faria que o caminho critico seja considerado somente a ultima atividade ou algo sobre caminho critico partido.
 
Mas estou aberto a argumentos contrários
=)
 
[]s
 
PS: Otima ideia a do congresso! =)
 

--
Robledo de Andrade e Castro, MSc, PMP
robledo.castro@gmail.com
+55 19 97787836
 
 
 
 
2009/9/15 farhadak1958 <farhad@uol.com.br>
 
 
Caro Peter,
 
Eu tinha jurado para mim mesmo que não ia mais discutir este assunto contigo, mas para não ser taxado de mal educado te respondo:
 
 
 
"Estamos autorizados a usar o termo "caminho crítico" sem estar necessariamente restrito à regra de CPM?"
 

A resposta é uma sonora NÃO.
 
Nem Archibald nem Rita afirmaram que o caminho crítico pode ter folga positiva. A Rita, na página 197, da 6a. edição do livre dela (PMP Exam Prep) escreve que "Activities on the critical path almos always
have zero float". [pois], "Critical Path activities that are delayed or have dicatated dates can result in negative float" (PMP EXAM PREP 6th. edition, RMC Publications, 2009. página 197).
 
Nesta mesma página, a Rita afirma que "Total Float is the amount of time an activity can be delayed without delaying the project end date or an intermediary milestone".
 
Em outras palavras a Rita concorda comigo e não contigo!
 
Ela não escreveu que Caminho Crítico pode ter folga positiva, mas sim, NEGATIVA, se forçarmos a data fim do projeto.
 
Ora, no seu exemplo a atividade A tem folga, logo, definitivamente não pertence ao caminho crítico, pois se atrasar não atrasará o projeto.
 
Uma atividade que é crítica não tem folga positiva!
 
Pare de confundir seus pobres alunos e audiência com estas invenções!
 
Abraço,
 
P.S. Que tal perguntarmos diretamente a ela em novembro durante o Congresso Brasileiro?
 
Farhad,
 
--- Em PMI-SP@yahoogrupos.com.br, "Peter Mello \(Listas\)" <petersmello@...escreveu
 
>
"Esse é o meu entendimento do PMBOK. O fato de eu colocar uma restrição para o inicio da atividade "Pintar parede" não tira as atividades anteriores do caminho crítico, pois se eu começar por ela não tenho o caminho mais longo do projeto."
 
Robledo,
 
Ótimo! Estamos portanto em acordo!
 
Agora vamos esperar o Farhad explicar que as demais já não estão no caminho crítico pois agora têm folga e o caminho então é só aquele de folga zero e cria-se então o caminho crítico "partido', bla-bla-bla. Certo Farhad?
 
Por favor, não explique tudo matematicamente pois a questão não é matemática.
Na matemática nós já concordamos: tudo que tem folga zero, está no caminho crítico.
 
O que não concordamos ainda (mas a Rita, o Russell, O Goldratt e o Vladimir sim) é que o caminho crítico PODE ter folga. A razão não importa!
 
Minha defesa é pelo "uso genérico do termo", sem deixá-lo exclusivo à noção de CPM.
 
Quando eu falei disso na primeira vez, você queria "autores" que falaram isso. Eu estou lhe dando!
 
- A Rita tem isso no seu último livro, conforme bilbiografia já passada.
- O Goldratt tem isso no seu webcast sobre CCPM, que assisti junto com seu amigo Alonso
- O Vladimir Liberzon tem isso em praticamente todos seus seminários, já que sempre explica o que é o RCP e a necessidade de recuperar o sentido original de "caminho crítico".
 
E agora Farhad?
 
Estamos autorizados a usar o termo "caminho crítico" sem estar necessariamente restrito à regra de CPM?
 
Abraço,
 
Peter.
 
----- Original Message -----
From: Robledo Castro
To: PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, September 15, 2009 1:40 PM
Subject: Re: [PMI-SP] Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
 
 
 
Peter, o cronograma não DEVE ter folga negativa, isso concordo em genero, numero e grau, mas PODE ter no caso da data ser imposta e não factível. Isso está no PMBOK e tbem no livro da Rita. Aqui estou nivelando somente o conceito sob regência do PMI, ok?
 
Agora, acho que tem coisas a mais no pote e a mistureba está gerando confusão.
 
Atividade crítica, segundo o PMBOK, é uma atividade que está no caminho crítico, que é o mais longo. O guia cita em seguida que o termo "atividade crítica" pode ser usado para outros fins, como uma "atividade extremamente importante", mas no contexto do guia se refere ao caminho crítico.
 
Um projeto pode ter vários CPs (tem a mesma duração e são mais longos).
 
Um projeto tem um ou mais "caminhos quase críticos", que são os caminhos candidatos a virarem críticos a qqer alteração no cronograma.
 
Folga Total (total float): Em qualquer caminho de rede, a flexibilidade pode ser medida pela diferença positiva entre as datas mais tarde e mais cedo, e é chamada de folga total.
 
A folga livre é a flexibilidade de que uma atividade tem para atrasar sem atrasar a atividade seguinte.
 
Isto está no PMBOK 4, pag 131 e 132 (portugues) ou 154 e 155 (ingles). (seção 6.5.2.2)
 
Ora, vamos ao exemplo:
 
Atividade "Descascar parede": 5 dias. Inicio segunda 21/09/2009
Atividade "Passar massa corrida": 3 dias, inicia logo após a atividade anterior
Atividade "Pintar parede", tem 5 dias, e por motivos de restrição do condomínio, só será possível realizar serviços de pintura na semana de 05/10.
Sabados e Domingos não são úteis.
Temos também a atividade "Preparar portas", que começa logo após a atividade 1, e leva 2 dias.
 
Assim, o caminho "descascar parede" -"passar massa corrida" e "pintar parede" estão no caminho crítico do projeto, e tem folga total (total float) ZERO.
 
Porém, a atividade "Passar massa corrida" tem uma folga livre (free float), pois eu tenho uma restrição segurando a tarefa pintar até 05/10, mas ainda com dependência entre as duas.
 
Em resumo,
 
O caminho crítico do projeto (um ou mais) tem folga zero ou negativa. As atividades no caminho crítico podem ter folga livre positiva.
 
Esse é o meu entendimento do PMBOK. O fato de eu colocar uma restrição para o inicio da atividade "Pintar parede" não tira as atividades anteriores do caminho crítico, pois se eu começar por ela não tenho o caminho mais longo do projeto.
 
[]s
Robledo
 
 
 
 
 

2009/9/15 Peter Mello (Listas) <petersmello@...
 
 
 

Robledo,
 
Se você chegar ao cálculo de atividades com FOLGA < 0, a única coisa que você comprovou é que o cronograma não é factível.
 
Um cronograma de fato não pode ter folga negativa! É o mesmo que você dizer que pode ficar devendo o que quiser no seu banco, sem pagar pelo cheque especial.
 
No Practice Standard of Scheduling, temos um complemento de definição ao PMBOK.
Ele fala de "atividade crítica"
 
A atividade crítica é aquela que está em UM caminho crítico do projeto, NORMALMENTE determinado pelo uso do método do caminho crítico.
 
Podemos derivar daí que o MÉTODO do Caminho Crítico não é a única forma de se determinar que atividades são críticas!
 
o PRACTICE deixa bem destacado que o "caminho crítico" que não depende de "folga = zero" é o "caminho crítico DO PROJETO". Ele é apenas a rede mais longa entre o início e fim do projeto.
 
Portanto, em termos de "vocabulário comum", é interessante dizermos que:
- O caminho crítico DO PROJETO pode ter folgas
e não
- O caminho crítico pode ter folgas.
 
Mas a minha insistência com o Farhad é que caso alguém afirme "que só está no caminho crítico aquelas atividades que tem folga zero" a pessoa deve estar ciente de que isso só é válido para o método do caminho crítico, pois no caminho crítico DO PROJETO podemos encontrar atividades com folga!
 
Abraço,
 
Peter.
 

----- Original Message -----
From: Robledo Castro
To: PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, September 14, 2009 9:39 PM
Subject: Re: [PMI-SP] Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
 
 
 

Peter e colegas,
 
Eu perdi a discussão original, mas acho que está havendo confusão entre total float e free float.
 
E lembrando ainda que a atividade B no exemplo do Peter pode ser adiantada (lead).
 
O Peter está correto (assim como a Rita Mulcahy) ao dizer que o caminho crítico pode ter atividades com folga. O próprio PMBOK diz isso (ou melhor, não diz que o caminho critico so tem atividades com folga zero, apenas menciona o total float).
 
O que o PMBOK diz é que o caminho crítico é aquele cujo total float (o quanto o caminho ou atividade pode ser atrasado sem afetar o fim do projeto) é zero ou negativo (indicando que não dá para cumprir a data final do projeto), mas não diz que todas as atividades tenha folga zero (free float, o quanto uma atividade pode atrasar sem atrasar sua sucessora imediata). Os leads e lags tem que ser incorporados ao calculo dos caminhos. Lembrando que temos tbem o project float, que é o quanto o projeto pode atrasar sem atrasar a data final acordada externamente.
 
E se olharem no glossário, verão que o caminho crítico é na maioria das vezes, MAS NEM SEMPRE, o caminho que dita a duração do projeto.
 
Acho que a confusão é que "Caminho com folga zero ou negativa" foi trocado para "Caminho com atividades com folga zero", o que é bem diferente.
 
Então, respondendo á "enquete" do Peter, os meus cronogramas tem quase sempre o CP com folga zero, e muitas vezes atividades com folga <0.
 
Um abraço
 
--
Robledo de Andrade e Castro, MSc, PMP
 
robledo.castro@...
+55 19 97787836
 

009/9/14 Peter Mello (Listas) <petersmello@...
 
 
 

Marcell,
 
O Caminho MAIS LONGO determina a MENOR DURAÇÃO possível.
 
A única forma de diminuir a duração do projeto nestes termos é agindo sobre as atividades que estão no caminho crítico, para que sejam feitas em um tempo menor ou em paralelo com outras atividades.
 
Há casos em que não adianta reduzir uma duração! Ou outra atividade entra no caminho crítico, ou você está consumindo uma folga pré-existente.
 
Há uma técnica chamada "drag duration" que funciona apenas no paradigma CPM e não para projetos baseado em restrições que serve exatamente para calcular o quanto uma atividade critica pode reduzir permanecendo ainda como crítica.
 
Esta técnica é uma forma de estabelecer os limites de "crashing" e "fast-tracking" e dá um "folêgo" para a cinquencentenaria técnica CPM. Foi apresentada no College of Scheduling do PMI em 2007 e somente uns poucos softwares já implementaram este cálculo.
 
Se o seu caminho crítico leva em consideração os recursos, há diversas formas de reduzir a duração do projeto:
 
- Aumento de recursos, melhoria na produtividade, aumento da carga de trabalho diária, eliminação da multi-tarefa nociva, entre outros.
 
Você pode ver ilustrações da diferença do caminho crítico (padrão, levando em consideração apenas as atividades) e a corrente critica em http br10.net/form/caminhoecorrente
 
Abraço,
 
Peter.
 
----- Original Message -----
From: Marcell Arrais
To: planejamento@yahoogrupos.com.br ; PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, September 14, 2009 2:42 PM
Subject: Re: [PMI-SP] Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
 

Peter, bom dia!
 
Você diz que: "O conceito original para o "caminho crítico" era o de encontrar uma forma de encontrar o conjunto de atividades que determinam a menor duração de projeto."
 
O Caminho Crítico não seria o caminho mais longo do projeto, logo seria formado pelas atividades que determinam a maior duração?
 
Att,
 
Marcell
 
 
 
--- Em seg, 14/9/09, Peter Mello (Listas) <petersmello@...escreveu:
 

De: Peter Mello (Listas) <petersmello@...
 
Assunto: [PMI-SP] Caminho Crítico tem Folga - "O Retorno"
Para: planejamento@yahoogrupos.com.br, PMI-SP@yahoogrupos.com.br
Data: Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009, 15:50
 
 
 
Senhores,
 
Muitos acompanharam os argumentos de ida-e-volta a respeito de caminho crítico e suas definições. Os principais "players" na discussão eram o Farhad e eu.
 
Meu argumento principal era:
 
- O conceito original para o "caminho crítico" era o de encontrar uma forma de encontrar o conjunto de atividades que determinam a menor duração de projeto.
 
- Diversos esforços foram feitos para se descobrir este caminho e J. Kelley encontrou uma "solução matemática" a partir da contagem de passos-para- frente e passos-para- trás e as durações entre as atividades, criando assim o "método do caminho crítico" e com a definição complementar de que "o caminho crítico é aquele indicado pelas atividades de folga zero".
 
Embora a solução matemática seja verdadeira para cronogramas baseados apenas na dependência entre TAREFAS, a solução não permite se calcular as dependências entre RECURSOS.
 
Como efeito, após nivelarmos um projeto por recursos, criamos então a "corrente crítica" que seria aquela não determinada pela folga zero, mas sim o "caminho crítico alterado pelos recursos".
 
Como resultado, eu costumo sempre dizer que "o caminho crítico pode ter folgas", visto que tanto dependências externas, combinações de calendários e o uso de recursos podem determinar uma nova sequencia de atividades que representam a menor duração possível do projeto.
 
==
Em contraposição, Farhad diz que o "caminho crítico é sempre aquele cuja sequencia de atividades tem folga zero" e depois do nivelamento temos então o "caminho crítico partido".
 
Ele complementa dizendo então que apenas PARTE das atividades no projeto estão no caminho crítico, mesmo que outras atividades de fato sejam necessárias para definir a menor duração possível de projeto.
 
Em uma ilustração, se temos:
 
- Inicio A B Fim, onde A e B tem 10 dias, então o caminho critico é A>B = 20 dias.
 
No argumento do Farhad, se B tem uma dependência externa e começa em 15 dias, então temos:
 
- Inicio A (folga) B (com dependencia externa) Fim
 
O Farhad (e cenentas de autores que afirmam que o caminho crítico é "aquele da folga zero") diz então que apenas B está no caminho crítico.
 
Eu continuo insistindo que MESMO COM FOLGA, o caminho crítico continua sendo A>B visto que o objetivo de se encontrar o "caminho crítico" é "estabelecer a menor duração" e o cálculo das folgas é apenas "uma forma de solucionar o problema", ineficiente no mundo real).
 
===
Após diversos debates, passei então a definir "caminho crítico do projeto" como forma de marcar a diferença de "caminho crítico" onde este segundo teria sempre folga zero.
 
Agora trago mais um autor que também aceita "FOLGA NO CAMINHO CRÍTICO":
 
- Rita Mulcahy 5th edição.Pagina 158, 159
No Livro da Rita Mulcahy fala que "Quase sempre a folga do caminho crítico é Zero".
 
- Eu vou ainda mais longe:
"Quase sempre a folga do caminho crítico é maior que zero, desde que você faça um cronograma que esteja preparado a simular as restrições do mundo real".
 
O caminho crítico com "todas as atividades com folga zero" só acontece quando:
 
A) Não se planeja em detalhe;
B) Se planeja em detalhe, assumindo que recursos são infinitos;
C) Não se tem múltiplos calendários e múltiplas restrições externas.
 
E vale lembrar que não dá para simplesmente dizer "use corrente crítica" para estes casos, pois a "corrente crítica" também pode ter folga!
 
CONCLUSÃO:
 
- Embora para a técnica CPM seja verdade que "caminho crítico" seja apenas a sequencia de atividades com folga zero, se não deixarmos claro "que pode ter folga" vamos sempre dar a entender que cronogramas realistas NÃO dependem de nada além da técnica CPM, o que não é verdade!
 

Peter Mello, PMP, PMI-SP
 
*** O meu caminho crítico pode ter folga, e o seu? ***
 
 

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